quarta-feira, 24 de julho de 2013

A Devoção no Yoga (enquanto caminho de amadurecimento e liberdade)




Há várias palavras que expressam a noção de “eu” no yoga. As duas mais presentes são “ahamkara” e “asmita”, porém apenas a segunda aparece no Yogasutra (texto de maior autoridade no Yoga). 

A noção de “eu” é algo intrigante, olho para fora e tenho que lidar com esta insistente, e de certa forma legítima, experiência de que sou o centro do mundo. Asmita é aquela esfera em nós que reconhece uma continuidade nas várias experiências e que identifica essa continuidade como sendo “eu”. Aquele que ontem estava feliz é reconhecido como sendo a mesma pessoa que hoje acordou mal-humorado. Ele identifica, experiencialmente, que a mudança de humor é um movimento dentro do mesmo ser humano.
 Junto com a noção de “eu” nasce a noção do “outro” ou seja, do “não-eu”. Nasce a diferença, nasce o isolamento. Eu sou isto, eu não sou aquilo. Tudo o que está do lado de fora do meu corpo e tudo o que pode ser apreciado por mim passa a ser o “não-eu”. O “não-eu” se torna uma entidade, um “alguém” com quem nos relacionamos. A partir de nossos desejos, de nossas frustrações e medos, vamos moldando nele uma espécie de personalidade. Criamos uma personalidade para o “não-eu”. Apesar de ela ser, na verdade, um fantasma criado por nosso “eu”, não reconhecemos esse fato. Acabamos por acreditar que o fantasma que criamos é real e passamos a nos relacionar com o mundo a partir dessa percepção inconsciente que construímos. Essa personificação do “não-eu” ocorre a partir de nossas memórias e de nossas tendências. Raramente percebemos que nossa forma de se relacionar com ele é diferente da forma como a pessoa que está ao nosso lado estabelece essa mesma relação. Não há dois seres humanos que se relacionem da mesma forma com o “não-eu”, pois também não existem dois “eus” iguais.

Cada um de nós está preso a uma identidade de “eu” e, conseqüentemente, a uma identidade de “não-eu”. As duas, obviamente, são inseparáveis e, também, extremamente frágeis e limitadas. 

-Questões básicas sobre o “eu”-

 Essa prisão a uma identidade individual (eu) ocorre devido à nossa estrutura mental. A mente é feita de memórias, marcas e tendências. É isso que nos permite sobreviver e é isso que também nos escraviza. A mente, no exercício de sua função, nos conduz facilmente ao vício, ao hábito, à familiarização. Do ponto de vista do yoga somos todos viciados. Preferimos nos segurar a algo conhecido, mesmo que hoje o conhecido, na verdade, já não exista mais. Eis o problema. A mente é mesquinha, tem certas razões para isso, mas é viciada nisso. A mente quer poupar, ela sempre fará o possível para seguir o caminho já conhecido e, se possível, irá torná-lo automático. Mas o conhecido só existe agora, uma vez que sofre inevitáveis mudanças na passagem do tempo.
Além disso, a própria mente (que fixou uma identidade ao objeto conhecido) também sofre inevitáveis mudanças (pois sem movimento e mudança não existe mente ativa). Mas o simples fato de reconhecermos essa realidade não nos livra completamente do problema, precisamos quebrar a experiência de prisão. Práticas de conscientização corporal, técnicas de profunda sensibilização da respiração e exercícios que nos levam a experienciar estados mentais menos emaranhados são importantes vivências rumo a uma percepção mais profunda das frágeis identidades internas e externas às quais nos fixamos. 

Um ser humano totalmente habituado à sua perturbação e às suas fixações não se reconhece perturbado. Portanto, a construção de uma relação equilibrada com o mundo à volta, cuidados básicos para com a própria saúde física e mental e práticas de asana e pranayama serão o fundamento para acessarmos o equilíbrio e a clareza que, normalmente, não conhecemos em nosso cotidiano. 

-Olhando com mais atenção para o “não-eu”-

 Podemos enxergar a quantidade de desejos e insatisfações que se apresentam em nossos pensamentos cotidianos. Nossa confusão básica está em acreditarmos que o mundo à volta existe para suprir meus desejos. Olho para ele como o objeto de meu desfrute. Quando isso não se concretiza, reajo, considero injusto. Ao invés de identificar meu engano, pois não há satisfação no mundo externo que seja permanente, me frustro e traço uma nova estratégia para que o mundo supra minha carência. Mas ele jamais poderá me satisfazer, não é sua função e nem sua natureza permite isso.
Pois essas minhas expectativas, muitas vezes, frustradas, esses meus medos, geraram, ao longo do tempo, um sentimento particular com relação ao mundo. Em minhas experiências acumulei alegrias e frustrações em diferentes graus. Isso tudo gerou memórias, marcas. Ao olhar para fora, as lembranças começaram a povoar minhas emoções e pensamentos, a expectativa e o medo começaram a se tornar cada vez mais reais, mais presentes. O tempo foi fazendo com que eu me habituasse a essas sensações e passei, assim, a não mais reconhecê-las como criadas por minhas próprias memórias. Fui esquecendo que eu mesmo o inventei, de que essa visão do mundo externo foi gerada, na verdade, por memórias selecionadas a partir de experiências minhas, internas, subjetivas. O mundo não é isso que eu sinto apenas, minha percepção de mundo é extremamente viciada e restrita.
 E como limpar esse material acumulado? Como estar aberto para perceber mais do que minhas memórias sugerem? Além das práticas citadas no parágrafo anterior a respeito do “eu”, há uma prática que remete mais diretamente ao “não-eu”, essa prática pode ser chamada de “devoção”. Essa prática é vista pelo Yoga com grande respeito e reverência, pois pode ser um veículo para um amadurecimento muito profundo, libertador. 

Alguns outros sistemas também apresentam o papel da devoção, que pode ser analisada dentro dessa perspectiva da minha relação com o “não-eu”. Mesmo aqueles que não compartilham de crenças religiosas não podem negar a importante contribuição que a devoção pode oferecer no desenvolvimento de uma relação mais saudável com o mundo. Obviamente que, ao tratar de devoção, precisamos chegar a um consenso a respeito do que estou chamando, aqui, de “devoto”. Uso essa palavra para designar aquele que reverencia algo que não é “eu”, algo que personifica o “não-eu”. Em minha posição de devoto ofereço “sacralidade” ao “não-eu” e não mais consigo olhar o “não-eu” de forma ordinária e superficial, não mais posso reduzir o “não-eu” a algo que existe com o propósito de apenas saciar minhas expectativas ou alimentar meus medos. Para o yoga o objeto de devoção é algo que me remete a uma verdade mais profunda do que aquela que me é mais evidente, algo que expressa sabedoria completa e que está livre de ignorância e medo. O objeto de devoção deve representar todo o meu potencial de realização mais íntima.  Ele é visto como “não-eu” porque eu, agora, não consigo me reconhecer como livre de ignorância, tanto é que eu seguidamente atuo através de minha ignorância e de meus medos. Eis o papel transformador da devoção. A devoção direcionada a um “não-eu” apreciado em sua “sacralidade” treina minha visão, limpa a projeção contaminada pelas minhas mesquinharias. Esse é o início do caminho. Antes eu olhava para o mundo e o dividia entre o que eu gostava e o que eu não gostava, mas agora, uma vez tendo adotado a reverência por algo mais sagrado do que meus desejos e aversões individuais, passo a apreciar o mundo à minha volta em sua totalidade. Minha alegria passa a não ser mais tão dependente de desejos supridos ou de vinganças realizadas. 

Mas não termina aqui. O propósito é fazer com que eu, a partir dessa apreciação nova, passe a perceber o quanto a minha experiência anterior de “não-eu” era frágil. O yoga afirma que o fruto da experiência de bem-estar é o apego e o fruto da experiência de sofrimento é a aversão. Ou seja, para aquele que busca a verdade, o sofrimento e o prazer não são tão diferentes assim, pois prazer e sofrimento aprisionam ao mundo externo da mesma forma. Isso significa que devemos fugir do prazer e do sofrimento? Não. Precisamos é perceber que há vida além dessa divisão. A satisfação profunda não está na divisão, não vem de uma ou de outra. É possível nos sentirmos nutridos independentemente da concretização de experiências que forneçam sofrimento ou prazer. Podemos estar longe da conquista absoluta disso, mas definitivamente andar degrau por degrau na escada que conduz a essa independência traz satisfação, força e alegria, mesmo no meio do caminho. As pedras que antes apenas me machucavam agora também, por vezes, me ensinam e me nutrem. Então, não há mais como colocarmos como antagônicas as realizações e as frustrações.

 Jorge Luís Knak

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Curso de Formação em Porto Alegre - Nova Turma 2013

Estamos organizando o início de uma Turma de Formação em Yoga na Tradição de Krishnamacharya em Porto Alegre. Nossa previsão é começar em Outubro/2013.
Em Porto Alegre já foram realizadas três formações e, em Curitiba, estamos com a segunda em andamento.
O curso tem duração de cerca de 2 anos e meio, sendo 24 módulos de fim-de-semana (1 por mês) e 3 módulos de 5 ou 6 dias de duração. Paralelamente ao estudo e prática em grupo os participantes devem manter a orientação individualizada (no mínimo, uma vez por mês).
Entre os principais pontos do curso está o estudo detalhado (palavra por palavra) dos dois primeiros capítulos do Yogasutra (que forma a profunda base psicológica e espiritual do Yoga). Além disso é estudado detalhadamente o desenvolvimento de práticas de Asana, Pranayama e Meditação com diferentes propósitos.
Em breve disponibilizaremos maiores informações.
Solicitamos aos interessados que entrem em contato pelos emails: jorgeknak@gmail.com e/ou nazacavalcanti@gmail.com .

Abraços,

Jorge Luís Knak

terça-feira, 4 de junho de 2013

Meditação e a diluição do Yoga


O Yoga é tão amplo que isso, muitas vezes, chega a ser um problema para os professores e praticantes. Essa amplidão associada à falta de comprometimento com uma linhagem tem feito com que o assunto “Meditação” seja um dos menos populares no Yoga moderno.
Acredito que alguns dos sinais (mais evidentes) da grande diluição que o Yoga tem sofrido devido a essa falta sejam:
-crença em técnicas e não na relação de aprendizado entre professor e aluno.
-excessiva preocupação com os aspectos físicos da prática, que tradicionalmente é apresentada com o propósito de reduzir nossa ansiedade e possibilitar maior direcionamento mental;
-ausência de clareza sobre qual é o propósito fundamental do caminho do Yoga.
 E o que é Meditação no sistema do Yoga?
Para começar, não é tentar “esvaziar a mente”. A meditação é o exercício de acalmar aquilo que é mais superficial para poder enxergar aquilo que é mais profundo. Nossas insatisfações e ansiedades nos acostumaram a um comportamento emocional viciado, que praticamente nos impede o acesso a esse olhar “calmo”. Exemplificando: Facilmente enxergo a raiva, mas dificilmente enxergo que ela nasce da frustração de um desejo. E, se consigo enxergar o desejo que a originou, raramente vejo que fui eu quem o criou. E, se eu consigo chegar ao ponto de enxergar que eu sou o pai desse desejo e, por conseqüência, dessa raiva, raramente tenho discriminação e conhecimento suficientes para perceber que a grande intensidade desse desejo nasce da minha incapacidade de encontrar satisfação e contentamento em mim mesmo.
E se consigo, na prática (e não na fácil tarefa de apenas escrever isso no facebook), dar todos esses passos, raramente tenho a humildade de assumir a responsabilidade perante o outro (que provavelmente a essa altura já pagou o pato)...
Refazer esse caminho até a fonte do problema muitas e muitas vezes a partir de situações reais que invadem nosso dia-a-dia e nossas relações é meditação. Meditar é treinar a capacidade de não enxergar só o que é mais aparente e ter a humildade de enxergar que meu maior problema sou eu.
Jorge Luís Knak
 

domingo, 12 de maio de 2013

Curso em São Paulo - Maio/2013


PRA ONDE EU VOU? VENHA TAMBÉM... -VISÕES DA PSICOLOGIA DO YOGA


Psicologias:
Um dos alicerces da Psicologia do Yoga é a estrutura de percepção do ser humano. Na grande maioria das Psicologias modernas a mente é vista como sendo a única responsável pela observação do mundo. O yoga não nega a realidade da mente, mas estabelece uma composição mais complexa.

Entendendo o modelo de percepção do Yoga:
A mente, em conjunto com os sentidos, é vista como um instrumento intermediário na relação com os objetos. Há algo mais amplo que a mente, algo que a autoriza, que dá suporte à sua função. Esse algo é chamado de “Drashta”, palavra que indica “aquele que vê”, e deve ser entendido como a mera presença de inteligência, de vida. Já a mente é o instrumento que direciona essa inteligência para uma função específica, que é o relacionamento com os objetos dos sentidos.
Para que possamos entender de forma mais prática o papel de um intermediário podemos nos utilizar da compreensão que temos a respeito dos sentidos. Do ponto de vista da mente e dos objetos, os sentidos possuem a tarefa de intermediar a percepção. O sentidos não são a autoridade máxima, há uma outra realidade que dá sentido à sua função. Essa realidade é a mente. Cabe ao sentido “sentir” o odor, a temperatura ou o gosto de um objeto e passar essa informação à mente. Assim, a mente poderá realizar sua função, que é interpretar essa informação. A mente sem os sentidos seria impedida de exercer seu papel, estaria presa em sua incapacidade de descobrir as qualidades dos objetos do mundo. Como podem os objetos serem interpretados sem que sejam vistos ou escutados, sem terem cheiro, temperatura ou gosto? O que restaria à mente encarcerada? Algumas atividades mentais sobreviveriam, mas não aquelas relativas ao reconhecimento de objetos externos. Pois da mesma forma que podemos entender esse importante papel intermediário dos sentidos, poderemos entender que a mente também é considerada uma intermediária sob o ponto de vista do Yoga. Ela é responsável por registrar e analisar a informação recebida dos sentidos, mas ela precisa dessa inteligência básica para cumprir com sua tarefa.

E qual a importância de sabermos disso?
Assim como podemos experienciar a ação dos sentidos, também podemos experienciar a ação da mente. E assim como podemos, com um certo treinamento, experienciar a mente ainda presente quando os sentidos já se calaram, também poderemos experienciar a presença de algo mais profundo (a mera presença de vida) quando a mente se calar.
Quanto mais pudermos ter acesso a uma experiência mais interna e mais profunda, mais relativizaremos cada um dos níveis de nossa existência. Por exemplo, uma pessoa que acredita que o olfato é a única fonte de satisfação do ser humano agirá compulsivamente na busca de odores refinados. Já uma pessoa que reconhece que há cinco diferentes formas de desfrute no mundo dos objetos se sentirá mais rica e não se limitará à busca de satisfação apenas através do olfato. Da mesma forma, aquele que reconhece que há outros níveis de experiência não se restringirá ao desfrute de um único nível e, também, terá condições de questionar e comparar os frutos de cada um dos níveis de experiência.
O estudo dessa estrutura não é tudo, também precisamos treinar a nossa percepção profunda. Por mais que nossa educação escolar tenha sido completamente falha e medíocre nesse sentido, existe sim um conhecimento que trata desse treinamento. Esse conhecimento se chama Yoga Darshana. Infelizmente, nem tudo o que na atualidade é chamado de Yoga trata, de fato, do treinamento dessa visão.


Nutrindo
Cada uma de nossas camadas nutre diferentes aspectos. O prazer dos sentidos nos traz uma determinada satisfação, uma alimentação saudável e nutritiva pode nos trazer uma outra satisfação mais sutil e refinada, já encontrar a solução para uma problema pode trazer grande alívio e alegria, o relaxamento pode nos levar “ao céu”, amar e ser amado pode também alimentar nosso coração de forma que deixemos todas as outras necessidades de lado. Há vários níveis de desfrute, de nutrição, várias formas de “alimento”.
E, da mesma forma, cada camada pode trazer perturbação, desequilíbrio. Quando percebemos a nós mesmos de forma integral, quando reconhecemos que não somos apenas corpo, ou apenas sentidos, ou apenas mente, descobrimos que o cuidado com cada um desses níveis é uma etapa importante para nossa realização pessoal como um todo. Não basta apenas satisfazermos o corpo, nem será suficiente satisfazer apenas os sentidos ou a mente. Precisamos abrir os olhos mais e mais. Precisamos transitar em todas essas esferas da experiência humana de forma a não gerar perturbações que impeçam a descoberta da camada que a antecede. Um corpo doente impede o bom funcionamento dos sentidos, os sentidos perturbados não fornecem informações corretas à mente, uma mente agitada ou entorpecida impede a experiência da satisfação mais profunda acessível ao ser humano, impede a experiência da vida plena em si mesma, seja na presença de suas funções específicas, seja na ausência das mesmas.

Ou eu ou não
Há outra alternativa? Sim. A outra alternativa é não viver a mim mesmo. Ou caminho em direção a mim mesmo, encontrando aquilo que é o coração da minha própria existência, ou me entrego à falsa carcaça que tomei emprestada de tudo o que não é eu.

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Jorge Luís Knak 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Curso em São Paulo

YOGARAHASYA 
- O Segredo do Yoga na Tradição de Krishnamacharya -

O Yogarahasya é uma linda e profunda escritura, de autoria do sábio Nathamuni (século IX) e resgatada por T. Krishnamacharya,  que abrange desde a aplicação terapêutica de técnicas do yoga até conceitos tão sutis e profundos quanto a prática meditativa e a relação com o caminho espiritual. Yogarahasya significa “o segredo do yoga”, ou seja, se refere àquilo que é essencial, àquilo que deve ser preservado com total cuidado.

Ao longo do curso analisaremos os principais versos que são responsáveis por formar o alicerce da Tradição do Yoga de Krishnamacharya não apenas no que se refere a seus famosos Vinyasa-s, mas também no que tange ao processo de desenvolvimento do praticante em seus diversos níveis.  

Krishnamacharya foi professor de BKS Iyengar, Pattabhi Jois, Srivatsa Ramaswami, Indra Devi, TKV Desikachar , entre outros. E, curiosamente, todos eles com diferentes abordagens de ensino.  Conhecer o Yogarahasya nos torna capazes de entender como essa vastidão de ensinamentos brotou de um só professor e nos oferece um mergulho à alma desse grande mestre.

No capítulo chamado “Viniyogadhyayah” Nathamuni introduz a idéia que será desenvolvida detalhadamente ao longo da obra “O sábio, após profunda reflexão, proclamou que o Yoga fomado de oito membros (Ashtanga Yoga) é dividido em três tipos de prática: Srshti Krama, Sthiti Krama e Antyah Krama (Caminho de Desenvolvimento, Caminho de Manutenção e Caminho Interno ou Espiritual). Essas práticas seguem uma direção de acordo com a fase da vida do praticante.”
Além do estudo serão conduzidas sessões de asana, pranayama e meditação. As práticas serão acessíveis a todos participantes, não há pré-requisitos para participar do curso. 

Data:  
25 e 26 de Maio/2013
Obs.: Aos interessados haverá uma palestra na sexta-feira à noite (24 de Maio).

Local:
Yoga Flow - São Paulo - SP

Inscrições: 
Detalhes em breve


Professor:
Jorge Luís Knak ensina Yoga desde 1995 em Porto Alegre.
Em 2001 iniciou seus estudos no Krishnamacharya Yoga Mandiram (Chennai – Índia) com TKV Desikachar , Kausthub Desikachar, S. Sridharan, Dr. N. Chandrasekharam e outros professores desta linhagem.

Atuou como professor em eventos como:
- “Celebrating Yoga” (Sydney - Austrália),
- “Krishnamacharya Yoga Festival” (San Francisco - Estados Unidos) com a coordenação e participação de seu professor TKV Desikachar ,
- Curso Preparatório para a Especialização em Yogaterapia (Piesendorf –Áustria) , intensivo de 10 dias que foi conduzido em conjunto com o Prof. S. Sridharan –Diretor do Krishnamacharya Yoga Mandiram.

Entre os ensinamentos orais que recebeu estão o estudo do Yogasutra e do Yogarahasya, aplicação clássica e adaptações de asana-s e seus respectivos vinyasa-s, pranayama, meditação, canto védico, psicologia do yoga e, paralelamente, a aplicação do ensino individualizado (abordagem tradicional do yoga) em seus diversos níveis.

Junto com a Profa. Maria Nazaré Cavalcanti realiza a formação de professores nessa linhagem (em Porto Alegre e Curitiba) e dirige o Anjali Yoga onde dá atendimentos individualizados diariamente.  Jorge é casado e tem dois filhos.

Em Curitiba - "Compreendendo as Emoções e Aprendendo a Meditar"


Compreendendo as Emoções e Aprendendo a Meditar


Sobre o curso:
Curso teórico e prático sobre a Psicologia do Yoga e de introdução à prática de Meditação. 
O curso é aberto a todos os interessados. Não é necessário conhecimento prévio de Yoga ou experiência em Meditação. 
Serão abordados temas como: a relação do ser humano com o mundo, a estrutura básica da mente, sua relação com sofrimento (duhkham) e maturidade (yoga), discriminação sobre a natureza da realidade (Purusha e Prakrti), a estrutura da perturbação emocional e os caminhos de pacificação e cura.
O curso é composto de 2 módulos (Maio e Junho/13)

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Professores:
Maria Nazaré Cavalcanti e Jorge Luís Knak

 Local: 
Gandiva Yoga Ashram - Curitiba

Datas:
1º Módulo: 4 e 5 de Maio/13
2º Módulo: 1º e 2 de Junho/13

Valor: 
-Inscrições até 15 de Abril: R$480,00*
-Após 15 de Abril: R$520,00*

*O valor pode ser divido em 2 parcelas (data da inscrição + 30 dias)
*Estudantes em formação e já formados pelo Anjali Yoga possuem desconto de 10%.

Inscrições:
O pagamento da inscrição pode ser realizada através de depósito bancário após enviar e-mail para "cursodeyoga@gmail.com".

 Atenção:
 O número de vagas é limitado a 30 pessoas. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição.



Biografia:

- Prof. Jorge Luís Knak 

Ensina Yoga desde 1995 em Porto Alegre.
Até 2001 sua experiência incluiu vários anos de estudo direto com professores como Lama Samtem
(Budismo Tibetano), Glória Arieira (Vedanta) e retiros com outros professores que marcaram seu caminho (entre eles Dzongsar Rinpoche e Chagdud Rinpoche).

Em 2001 iniciou seus estudos no Krishnamacharya Yoga Mandiram (Chennai – Índia) com TKV Desikachar , Kausthub Desikachar, S. Sridharan, Dr. N. Chandrasekharam e outros professores desta linhagem. 
Seu aprofundamento nessa tradição de yoga se deu, até o momento, através de 7 viagens à Índia para estudos intensivos com seus professores por períodos mínimos de um mês.

Atuou como professor em eventos como:

 - “Celebrating Yoga” (Sydney - Austrália),
- “Krishnamacharya Yoga Festival” (San Francisco - Estados Unidos) com a coordenação e participação de seu professor TKV Desikachar ,
- Curso Preparatório para a Especialização em Yogaterapia (Piesendorf –Áustria) , intensivo de 10 dias que foi conduzido em conjunto com o Prof. S. Sridharan –Diretor do Krishnamacharya Yoga Mandiram.

Entre os ensinamentos orais que recebeu estão o estudo do Yogasutra e do Yogarahasya, aplicação clássica e adaptações de asana-s e seus respectivos vinyasa-s, pranayama, meditação, canto védico, psicologia do yoga e, paralelamente, a aplicação do ensino individualizado (abordagem tradicional do yoga) em seus diversos níveis.

Junto com a Profa. Maria Nazaré Cavalcanti realiza a formação de professores nessa linhagem (em Porto Alegre e Curitiba) e dirige o Anjali Yoga onde oferece atendimentos individualizados diariamente.  Jorge é casado e tem dois filhos.



- Profa. Maria Nazaré Cavalcanti

quarta-feira, 6 de março de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Prática Individual - Exemplo 4

Exemplo de prática de Asana e Pranayama dada a uma pessoa em boas condições físicas. Foco em maior exigência física, estimulante e com uso de modificações na condução da respiração (Asana-s 6 e 7).


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Aula 21 - What are we seeking? - Livro do Prof. TKV Desikachar


Finalizo hoje, 07 de janeiro de 2013, esta seqüência de aulas online. Essa foi a última aula dada sobre o livro "What are we seeking?", ela ocorreu em 16 de novembro de 2011.

 Esta aula está disponível em áudio.

Um abraço,

Jorge Luís Knak


Aula 20 - What are we seeking? - Livro do Prof. TKV Desikachar

Posto hoje, 07 de janeiro de 2013, a penúltima aula dada a partir do livro "What are we seeking?" em novembro/2011. A frase de abertura do Capítulo que aqui é tratado é: "A maior falha é não estar consciente de nenhuma delas". Um dos temas aqui abordados é a capacidade de escuta.

Seguem abaixo as opções da aula em vídeo e em áudio.

Um abraço,

Jorge Luís Knak


domingo, 30 de dezembro de 2012

Prática Individual - Exemplo 3

Prática dada para o período pré-menstrual, pois a aluna apresentava várias queixas devido ao desconforto pelo qual sempre passava nesse período. Foco na região do Apana (região do abdômen) com respiração suave e consequente ênfase na exalação e respiração abdominal. Apesar de a respiração abdominal ser mais restrita que a respiração completa (peito-abdômen), aqui ela é usada com propósitos terapêuticos.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Prática Individual - Exemplo 2


Prática de ênfase meditativa com uso de mantra no pranayama e na meditação, voltada para o aprofundamento do vínculo espiritual. O aluno em questão é professor de yoga, tendo, portanto,  amplo conhecimento sobre o desenvolvimento de práticas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Adicionado Índice de conteúdos do Blog

Pessoal, para facilitar a navegação no Blog (que contém diversos conteúdos como aulas em vídeo, artigos, cursos, modelos de práticas), adicionei no canto superior direito um "Índice". Espero que ajude. Abraços, Jorge Luís Knak

Prática Individual 1

Cópia de uma prática que foi dada com ênfase em um trabalho físico de média exigência, dinâmico, com foco no desenvolvimento da exalação e introdução à meditação.


Exemplos de práticas de Yoga dadas em atendimentos individuais

Começarei a postar algumas práticas dadas em atendimentos individuais. Essas práticas são passadas ao aluno com o propósito de alcançar determinados objetivos físicos, respiratórios, emocionais e meditativos, dependendo de cada caso. O objetivo é que o aluno siga sua prática regularmente em casa. A prática serve como um acessório ao processo terapêutico mais amplo que é seguido através de encontros individuais regulares com o professor. Além da prática, que será aqui apresentada, o desenvolvimento terapêutico normalmente envolve processos de reflexão, meditação e estudo do funcionamento mental e emocional ao longo das sessões de atendimento. O conteúdo é sempre desenvolvido caso a caso dentro do que se considera útil para os questionamentos e crescimento de cada um. O método utilizado (foco no trabalho corporal, energético, respiratório, emocional ou espiritual) depende das razões pela qual o aluno buscou o processo terapêutico do Yoga. Aqui será apenas apresentada a prática e jamais serão citados nomes ou informações sobre o aluno. Ressalto que as práticas aqui apresentadas, na maioria dos casos, foram passadas a alunos que já haviam realizados outras práticas anteriormente. Há um caminho gradual para o desenvolvimento físico, respiratório e mental no sistema do Yoga. Reforço que mesmo que apareçam duas ou mais pessoas com sintomas semelhantes, não há dois casos iguais. Abraços, Jorge Luís Knak.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Onde está o yoga?


    
Por Jorge Luís Knak                                               

Yoga é uma experiência individual. É dito que é uma experiência que nasce de nossa conexão com o que há de mais íntimo, mais interno. Sendo assim, é um caminho solitário. É solitário como a morte, após um certo ponto ninguém poderá cruzar conosco. Talvez por essa razão o yoga tenha sido, por muito tempo, erroneamente visto como um processo que exige isolamento do mundo. Porém, isolar-se do mundo é muito fácil. Isolar-se do mundo é uma ação externa, e ações externas nunca serão alicerces a quem busca yoga. O isolamento de que trata o yoga é muito mais essencial do que isso, é isolar-se da crença de que há um porto seguro a ser encontrado lá fora. Ao longo de nossa vida os “portos seguros” normalmente vão apenas mudando de lugar, difícil mesmo é matá-los. Mas, reconhecendo nossa fragilidade e ignorância básica, devemos considerar que trocar “portos” externos por “portos” mais internos já é um ótimo sinal de crescimento. Isso ocorre não apenas em níveis mais abstratos ao longo da vida, mas em aspectos bastante tangíveis também. Quando nascemos precisamos de alguém “lá fora” para nos dar alimento, para trocar nossas fraldas, para nos proteger do frio e do calor, ou seja, somos dependentes do outro. Sem o outro, morremos. Às vezes exercito minha imaginação pensando na angústia que deve acompanhar uma criança que é abandonada, ainda sem condições de conseguir alimento. É um exercício doloroso. Durante alguns anos precisamos do outro, pois é ele que nos garante a sobrevivência. Vamos crescendo e desenvolvendo habilidades, aprendemos a caminhar e assim passamos a não mais depender do outro para ir de um lugar ao outro, aprendemos a pegar a comida, a colocar a roupa, a tomar banho. Um dia, descobrimos que não só sabemos colocar a roupa, mas também escolher qual colocar, descobrimos que não só sabemos levar o alimento à boca, mas sabemos escolher qual alimento. Independência, essa é a direção do ser humano. E essa direção tem algo de sagrado, algo de profundo, libertador e...solitário.

Ao iniciarmos nossa busca de yoga daremos, provavelmente, os mesmos passos. É o que se espera. Começaremos desejando um “porto seguro”, algo lá fora que me garanta tranqüilidade, força ou paz. Surge aí o primeiro possível obstáculo, acreditamos que alguma outra pessoa será mais importante do que eu mesma. Ouvi muitas vezes, de várias fontes, a afirmação de que o amadurecimento depende do aluno e não do professor. E muitas e muitas vezes respondi para mim mesmo que isso era óbvio. Após alguns bons anos comecei a entender que isso não era nada óbvio e que eu mesmo não acreditava nisso. Eu ouvia, achava que entendia, mas, de fato, não acreditava. Eis a irônica dicotomia: após dezenas de professores martelando nessa afirmação entendi que o professor e seu martelo não eram tão importantes. O yoga não será encontrado no professor ou no método, mas no aluno. Pois é o aluno que deseja yoga, aos outros cabe apenas auxiliar e direcionar. O yoga só será identificado em nós, pois somos nós que o experienciaremos. Assim como apenas nós mesmos identificamos nossa ignorância, nossas falhas, nossos medos, somos nós que identificamos nossa paz e nossa sabedoria. Precisamos encontrar nossas próprias armadilhas e ninguém mais poderá localizá-las por nós. Há inúmeras histórias de brilhantes alunos, não apenas em yoga, que receberam a confiança e o ensinamento de grandes professores e que acabaram por aproveitar o “conhecimento” recebido para causar danos a outros. Essa realidade nos aponta o precioso ensinamento de que o aluno é que faz a escolha, jamais haverá uma garantia externa. Podemos nos amargurar, nos debater e dar justificativas, ao invés de aproveitar para ouvir a confirmação do ensinamento. Podemos, inclusive, quando vivenciamos casos de abuso de poder e manipulação, como recentemente aconteceu com um de meus professores, continuar concluindo que o engano está “lá fora”, na pessoa do professor que seguiu o caminho errado. Mas não, o engano é meu, sempre que minha escolha é seguir o caminho da manipulação, do medo, do apego. E assim é para cada um de nós. Quando pararmos de brigar com as falsas frustrações e entendermos que elas apenas nos esclarecem ainda mais onde está o yoga, quando percebermos que não podemos descobrir se há yoga no outro, mas apenas podemos perseguir yoga em nós mesmos, estaremos mais próximos de uma caminho verdadeiro. Eu preciso olhar para dentro, mesmo na presença do mais “perfeito” professor. Eu preciso olhar para dentro, mesmo na presença do mais “ignorante” professor. Mantendo esse olhar, ao continuarmos nossos caminhos, não perderemos a nós mesmos e descobriremos as nossas verdades. Algumas verdades podem até vir na forma de ensinamentos externos (que vem de outra pessoa ou de alguma situação), mas ela só nos transforma após o nosso próprio processo de digestão e assimilação. O “porto seguro” não está lá fora, ele é justamente aquilo que há de mais íntimo, mais interno.

A reflexão que eu trouxe acima é, também, a base para um questionamento mais amplo sobre as linhagens de yoga e de outras tradições orais. Tradição oral significa um aprendizado que ocorre numa relação viva entre professor e aluno, já as linhagens são a continuidade ininterrupta dessas tradições específicas ao longo de muitos séculos. Essa “linha” contínua de professores-alunos-professores será a responsável para que esses ensinamentos permaneçam vivos e trazendo benefícios a muita gente em todas as épocas. A manutenção desses ensinamentos, se corretamente realizada, permitirá que a semente do conhecimento esteja disponível para gerações futuras, permitindo até mesmo que alunos futuros superem a clareza de seus professores. Mas como isso ocorre? Como pode o ensinamento ficar intacto mesmo em meio a todas as imperfeições humanas, ou seja, aos inevitáveis enganos dos professores e alunos? Como diferenciar o professor do ensinamento? Só poderemos diferenciar se soubermos realmente quem é o professor e quem é o ensinamento, ou seja, se tivermos uma linhagem mais sólida (com vários professores). Uma tradição frágil é aquela que depende de apenas um aluno em sua sucessão, ou seja, não há mais outra pessoa que tenha tido acesso aos ensinamentos. Krishnamacharya dizia que um professor deveria passar todo o seu conhecimento a “pelo menos” um aluno. Quanto mais o ensinamento ficar nas mãos de um único sucessor, mais riscos estarão presentes, pois dependeremos completamente da saúde física e mental dele. Uma das tradições orais que mais me impressiona, nos tempos atuais, em sabedoria, é a tradição budista tibetana. Apesar de eu ser um praticante e professor de yoga, não vejo nenhuma tradição de yoga com uma solidez que se aproxime do budismo. E, mesmo em meio à tradição budista, também veremos inúmeros casos de corrupção e assédio. Também veremos isso no Cristianismo e nos outros ismos, não faltarão exemplos. Os fatos nos apontam incansavelmente ao ensinamento: os erros humanos estarão lá, por mais que consideremos um ambiente “sagrado” ele acabará por nos apontar também o “humano”. E, graças àqueles que se dedicaram a algo maior do que seus próprios umbigos, o conhecimento continuará preservado.

Apesar da presença constante de apegos e de ignorância humana, não serão a ignorância e o apego que embasarão uma linhagem. Os enganos humanos podem até mesmo esconder temporariamente os ensinamentos, mas se houverem pessoas se dedicando à solidez das grandes tradições de conhecimento, eles estarão sempre disponíveis. A morte e a doença sempre existirão e levarão professores sábios, a ignorância sempre existirá e destruirá professores inaptos. Que possamos ouvir esses ensinamentos e manter o foco naquilo que trará benefícios mais permanentes a todos que buscarem o yoga no presente e no futuro distante.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A-corda da Experiência Profunda

por Jorge Luís Knak

Samadhi, no yoga, é uma experiência vinculada à meditação. É quando a meditação gera clareza, compreensão profunda a respeito de algo sobre o qual estamos refletindo. Esta experiência é muito perseguida por praticantes de yoga e, aqui, meu propósito é desmistificar a sua importância (isolada).
Digamos que o samadhi seja a Rapunzel, confinada, como boa Rapunzel, mas careca. Sim, aqui nossa Rapunzel é careca. Ninguém gosta de inventar histórias de Rapunzéis carecas, mas, na história original, foi quase isso que ocorreu (o príncipe quase acabou cego e a Rapunzel quase acabou careca). Agradeço à bruxa por essa deixa.
A questão que abordo aqui é a seguinte: de que adianta uma Rapunzel, confinada no alto de uma imponente torre, sem loooongas tranças? Para não desprezá-la totalmente, digamos que, no mínimo, vai virar outra história.
O samadhi, experiência meditativa tão falada no yoga, é, na maioria dos casos, uma Rapunzel careca. Existem vários níveis de experiência mental ou emocional, cada nível tem marcas que geram alguns obstáculos, confusões, sofrimentos e outras marcas que geram bem-estar, felicidade. O samadhi é uma experiência temporária que, em princípio, não irá amadurecer ou “curar” todas as outras camadas emocionais. Ou seja, podemos ter algumas experiências interessantes, profundas, na meditação, mas continuarmos sendo bastante imaturos. O caminho do yoga exige de nós um olhar atento a cada um dos níveis emocionais, não há como fugir disso e ter frutos saudáveis. Seria mais fácil se pudéssemos nos isolar, criar um ambiente “místico” ou “acolhedor” e ali ficar à procura de experiências meditativas que nos remetessem a um grande estado de calma e, de quebra, ter todas as nossas confusões, dúvidas e conflitos emocionais resolvidos. Concordo, mas não foi assim que fomos criados. Nossa mente é mais complexa do que isso. A meditação, o samadhi, o pranayama, etc são meios, são práticas, não são o fruto. Assim como uma postura de yoga pode não ser saudável para uma determinada pessoa e um exercício respiratório especifico não ser adequado para outro, também a meditação e o samadhi têm suas limitações. Todas as práticas são ferramentas, acessórios, elas sozinhas não garantem amadurecimento e lucidez. O caminho do yoga exige ações, relações humanas e muito questionamento para nos levar a um ponto de maior clareza e felicidade bem alicerçada.
Experiências “profundas” não resolvem, sozinhas, nossas questões. Peguemos o exemplo de alguém que sente que ama profundamente a sua namorada ou namorado. Dependendo da estrutura e maturidade emocional desta pessoa, ela não conseguirá expressar isso de forma equilibrada e nem sequer conseguirá sustentar este sentimento por muito tempo. Podemos comparar esta experiência do “amar” com a experiência do “samadhi”. Ambas estão estabelecidas num nível mental profundo e ambas dependem de um amadurecimento de outros aspectos emocionais para que possam ser integradas e bem aproveitadas ou desfrutadas.
A pergunta a ser feita neste momento da reflexão poderia ser: mas é possível ter uma experiência de tanta calma e lucidez sem que tenhamos construído maturidade para integrá-la? A resposta é: sim. Todas as experiências se dão na mente, elas estão sujeitas a certas armadilhas de percepção, além de serem inconstantes por natureza. Isso ocorre também com o yoga. Nós podemos ter sensações de grande alegria, calma, bem-estar, silêncio interno, assim como podemos ter sensações de tristeza, confusão, temor. E esses dois extremos estão sujeitos às mesmas regras, eles vem e vão. Não é a experiência em si que nos beneficia, mas a sabedoria que nós podemos criar com a ajuda desta calma e clareza. Mais uma vez eu reforço, a experiência é só um meio. Este meio precisa de maturidade e conhecimento para ser bem aproveitado. Portanto, não deveríamos perseguir experiências, mas questionamento e autoconhecimento. Experiências isoladas facilmente alimentam nosso orgulho e arrogância, questionamento e autoconhecimento tendem a nos trazer mais humildade e discriminação. Não há técnica ou prática que substitua uma cuidadosa relação com as pessoas, com o mundo. Ressalto que não estou afirmando que técnicas ou práticas não são úteis. Elas, definitivamente, são úteis e necessárias, mas precisam estar dentro de um contexto que os antigos professores de yoga conheciam e sabiam proteger muito bem. A forma e o ambiente emocional no qual se dá este aprendizado técnico e, principalmente, humano, é que protege o correto fruto. Qualquer psicologia que se preze não vive de técnicas e nem só de palavras. Yoga é uma psicologia, assim nasceu e que assim sobreviva.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O YOGA E A FONTE DA JUVENTUDE*



*Artigo de Maria Nazaré Cavalcanti (blog: nazarix.blogspot.com - tweeter: @nazarix)


É interessante observar que, na nossa cultura hoje, não só os velhos querem ser jovens: as crianças também. Outro dia minha sobrinha de 6 anos me disse que ela já era “quase pré-adolescente”... Fiquei sem saber se ria ou se me preocupava. As meninas dessa idade se maquiam, usam salto, pintam as unhas, coisa que na minha infância era absolutamente impensável. (E convenhamos que isso não faz tanto tempo, estou com 55).

Estranhamente, crianças e velhos querem ser e parecer teenagers, jovens, dinâmicos, se possível atléticos. Todos querem habitar o reino da Juventude. A própria palavra velhice foi banida e trocada por um eufemismo que não gosto de usar: terceira idade (argh!). Envelhecer é quase uma vergonha...

A Tradição Védica, a Índia antiga, oferece um referencial muito diferente a esse respeito. Nessa tradição, desde tempos imemoriais, o ciclo da vida é visto como composto de quatro etapas, tendo cada uma delas a sua prioridade.

Na primeira – que vai do nascimento aos 20 anos aproximadamente – somos Brahmacaris, ou seja: estudantes, aprendizes. Nessa fase, a prioridade é essa mesma: aprender, estudar, receber formação em todos os níveis.

Depois, ingressamos no casamento, na vida de família. Passamos a ser Grhasthas, “donos” de um lar, responsáveis por manter uma casa. A prioridade dessa fase – que vai dos 20 aos 60 mais ou menos - é amadurecer emocionalmente, tornar-se adulto através do desafio que os relacionamentos íntimos representam e, especialmente, pela oportunidade de ser pai/mãe, avô/avó, com tudo o que isso envolve.

Essa fase se encerra mais ou menos por aí... 60 anos, quando os primeiros netos estariam à nossa volta e já não teríamos tantas responsabilidades pela manutenção material e logística da família. Nesse momento, ingressaríamos no terceiro estágio, o do Vanaprastha, ou “aquele se que retira para a floresta”. A ”floresta” é o lugar de silêncio, de contemplação. Retirar-se para a floresta significa entrar no seu silêncio – e essa é a prioridade dessa etapa: meditar sobre o sentido profundo da existência. Meditar formalmente, levar a vida de maneira que favoreça a contemplação.

Por fim, a etapa que recebe o nome de Samnyasa: o final da vida propriamente dito, quando o mais importante é desprender-se, despedir-se, preparar-se para a morte e, especialmente, conhecer o que morre e o que não morre. É o momento de dedicar-nos à realização da nossa verdadeira natureza, à descoberta da nossa face original, aquela que está além das identidades que recebemos e assumimos ao longo da vida.

Essa é a moldura, o pano de fundo, onde se desdobram com infinita diversidade as vidas individuais.

É parecido com Primavera, Verão, Outono, Inverno... Primavera.

Nessa visão, a vida tem um ritmo, um desenho, um ciclo e todas as “estações” são vividas de forma consciente. Não se fica em busca de uma primavera eterna, custe o que custar. O envelhecimento e a morte do corpo têm como contrapartida o nascimento para a vida do espírito: o despertar para aquela dimensão que é sempre jovem, que está além do tempo e está em nós.

As práticas destinadas a preservar a saúde, como as que o Yoga oferece, existem para preservar a integridade desse ciclo, para que ele possa ser vivido do início ao fim. Uma vida longa e saudável pode então ser dedicada ao que realmente importa em cada etapa. E isso é o que mais facilmente nos permite amadurecer como seres humanos e alcançar a sabedoria, a clareza, a lucidez para a qual nascemos.

Para o Yoga, uma vida saudável, fundamentalmente, é uma vida lúcida.

A sabedoria costuma vir acompanhada de simplicidade, de leveza e daquela alegria serena que faz com que os olhos brilhem. Talvez seja essa a juventude a ser buscada – aquela que a sabedoria gera espontaneamente. Não é lúcido tentar manter-se eternamente jovem pela manipulação de realidades externas.

Por fim, foi Lou Salomé quem disse aquilo em que acredito: primeiro vivemos a juventude, depois a juventude vive em nós.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um ponto de interrogação compartilhado

(Dedico este artigo ao meu segundo filho, Luan, nascido dia 30 de março de 2009. Que muitos pontos de interrogação o acompanhem.)

Considero que a busca de certezas seja intrínseca ao ser humano, mesmo que elas estejam muito distantes. E é importante que nos tornemos conscientes desta nossa necessidade de encontrar respostas definitivas. Porém, a dúvida (enquanto questionamento) nos é muito mais familiar e não há como amadurecer sem sua presença constante.

Por mais que a dúvida e a certeza pareçam antagônicas à primeira vista, nossa razão diz que não o são. Mas, infelizmente, na maioria das vezes não exercemos este antagonismo. O que seria praticar este antagonismo? A proposta é nutrirmos a dúvida a um nível que não estamos acostumados a nutrir, pois alimentando-a além do habitual poderemos saciá-la verdadeiramente. A dúvida é como um grande animal faminto, não é fácil saciá-la. Nossas frustrações, cansaços, tédio, sãos algumas de suas manifestações, pois só enganamos a sua fome e tentamos convencê-lo de que o alimento dado foi suficiente.

Sendo o yoga uma abordagem psicológica, a reflexão tem papel fundamental. E o treinamento do antagonismo é proposto explicitamente na prática chamada “pratipaksa bhavana”, que se caracteriza pelo exercício da reflexão através da ponderação do ponto de vista oposto ao qual eu experiencio. A isso se segue a análise dos resultados diretos e indiretos desta mudança de visão.

Porém, a tarefa de reconhecimento e análise de nossas crenças e atitudes não é tão simples. Como somos os responsáveis principais pela estruturação e sustentação de nossas crenças, nosso questionamento dificilmente se apresenta de forma desapegada e ampla. Eis o motivo pelo qual é indicado o auxílio de um “professor-terapeuta” para o sucesso deste processo. E qual o papel deste professor? Exercer justamente aquelas qualidades que são esperadas de nós mesmos em uma análise franca, qualidades estas que infelizmente se tornam difíceis de acessar quando nos encontramos em situações de conflito. O professor deverá, portanto, ser uma referência de ausência de julgamento, dar auxílio na construção de um questionamento mais aberto e amplo (oferecendo novos “pontos de interrogação”) para que se abram novos caminhos de reflexão. Para que o professor possa assumir seu papel fica clara a necessidade de que ele tenha conhecimento da forma como se estruturam as “armadilhas emocionais” do ser humano. Além de conhecimento teórico, o “professor-terapeuta” só poderá criar a empatia, humildade e sabedoria necessárias ao exercício do seu papel caso vivencie o mesmo processo com seu próprio “professor-terapeuta”. Um professor precisa amadurecer continuamente sua própria capacidade de ser aluno.
Se o professor não vivenciar profundamente o papel de “aluno-paciente”, haverá riscos de grande vulnerabilidade na construção do seu papel de “professor-terapeuta” e dificilmente ele terá condições de estabelecer um vínculo profundo (empatia) entre ele e o “aluno-paciente”.

Por isso evito definir o yoga como um “conjunto de técnicas”. A busca sincera pelo amadurecimento humano e o vínculo que cria as condições para que este crescimento ocorra não estão no campo do domínio técnico, estão no coração. A pressa em encontrar certezas pode facilmente nos conduzir a uma percepção rígida da dinâmica da vida. Quem não teme suas próprias interrogações está mais perto da essência fluida da vida.