sexta-feira, 8 de março de 2019

Meditação e autoconhecimento: Meu pai, minha mãe e as dimensões psicológica e espiritual na perspectiva do yoga


A psicologia do yoga traz uma visão que une, de forma muito especial, nossas emoções mais básicas relacionadas à afetividade, a nossa dimensão espiritual individual e a nossa relação com o sagrado.

Em cinco sessões de uma hora e meia abordaremos a estrutura mental humana, as principais armadilhas internas e as dimensões psicológica e espiritual vinculadas à imagem de pai e mãe. 

Faremos uma reflexão sobre a trajetória de cada ser humano, que começa com as primeiras experiências de bebê, dependendo dos pais para a sobrevivência, até a fase adulta, onde é capaz de contemplar o amplo mundo que a ele deu nascimento, transcendendo a visão do restrito núcleo familiar.

A superação das aflições relacionadas  às naturais limitações humanas passa pela percepção do quão vasta e rica é nossa herança recebida da natureza, do todo, de Deus ou seja qual for o nome que adotemos para designar essa inteligência e essa base material que nos deu nascimento. 

O caminho de amadurecimento é um processo gradual, que tem seu tempo, assim como o desenvolvimento de nosso corpo. Para que coloquemos o tempo a nosso favor é necessário que conjuguemos a busca de conhecimento com um treinamento de reflexão sensível sobre a vida. Essa união é o foco da psicologia do yoga.

Informações:

- Curso online ao vivo

- Quartas-feiras das 20:00 às 21:30

- Cinco encontros de uma hora e meia

- 18 vagas

- Encontros ao vivo com gravação disponível por uma semana

- Início da primeira turma: Abril/2019

- 3 parcelas de 110,00 (330,00) pelo pagseguro

- Casais: desconto de 25% por pessoa (total para o casal: 3 parcelas de 165,00)

Inscrição: jorgeknak@gmail.com

sexta-feira, 1 de março de 2019

A aplicação do yoga e o papel do professor

Psicologia do Yoga - O que eu busco? Minha busca é benéfica para mim e para os outros? Quais os meios para realizar meu propósito?

Clique no link para ter acesso ao áudio no canal do YouTube

https://youtu.be/Czcxe5d7hP0

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Palavras do meu professor...

Palavras do meu professor...

"Is our Yoga Practice,
an offering to the Ātma–Buddhi Dynamic or,
a gratification for our Manas–Indriya expectations?"

Tradução:

"Nossa prática de yoga
É uma oferenda à dinâmica Atma-Buddhi ou
A nossas expectativas Manas-Indriya?"

Explicação breve dos termos usados:

Atma é o eu definitivo, Buddhi é a dimensão mais elevada da mente (responsável pela discriminação da verdade), Manas é a dimensão da mente voltada para a atuação sensorial, Indriyas formam o sistema sensorial.

Essa frase do Prof. Paul Harvey é provocativa, desperta o questionamento a respeito do que estamos alimentando em nosso caminho de yoga (de realização do autoconhecimento). Estamos em busca de satisfações mais temporárias e autocentradas ou de uma real descoberta? Não é apenas o sistema escolhido que define isso, mas a minha real motivação.

Link to Series: 108 Yoga Practice Pointers

sábado, 29 de dezembro de 2018

Um Lírio de Deus - Psicologia do Yoga

Cheguei a meu consultório no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, para o primeiro atendimento da manhã de uma segunda-feira. Consultório, sala de yoga, a dúvida sempre fica. Quando chamo de sala de yoga, é comum acharem que dou aulas de exercícios para relaxamento. Consultório parece designar melhor o espaço físico onde trabalho com a psicologia do yoga. A primeira pessoa daquele dia era uma paciente que, há alguns anos, mantém atendimentos semanais regulares. Curiosamente, essa mesma paciente, certa vez, ouviu de uma amiga “conheci teu professor de yoga”. A resposta dela, prontamente, foi “ele não é meu professor, é meu terapeuta”. Mas o fato principal que quero relatar aqui é que, nessa manhã, ela veio trazendo flores... lírios da paz.

Nossa conversa começou pelos lírios. Eles estavam ali representando gratidão. Recebi com alegria o delicado gesto, pois gratidão é uma das emoções superiores, sua presença é digna de comemoração.  Conversamos sobre o que a havia motivado a expressar esse sentimento, agradeci e manifestei minha felicidade por ela. E, após a segunda-feira, vem a terça, a quarta, a quinta...e passei todos os dias daquela semana sem carro. Normalmente, é minha esposa que fica com ele, pois a escola de nossos filhos é na mesma região da cidade em que ela leciona. E, assim, devido à dificuldade de levar o vaso de flores para casa, o lírio permaneceu durante o fim-de-semana em meu consultório.

Chego, na segunda-feira seguinte, então, em meu consultório novamente. Ao entrar na sala vejo o lírio desfalecido. Flor suave e delicada. Coloquei água e pensei “eu deveria escondê-lo, é vergonhoso ter deixado ele ficar em tal estado”. Mas a sala pequena e sem esconderijos me salvou de uma mentira. Ansiedade minha acreditar que a gratidão possa ser enfraquecida por um pequeno descuido. A paciente compreendeu. Acalmei a mim mesmo fazendo de conta que acalmava a ela, falei que conhecia o lírio, que sabia de sua capacidade de se restabelecer rapidamente. Expliquei, também, minha dificuldade em levá-lo para casa na semana anterior. Como eu havia molhado suas raízes logo no início da manhã, ao meio-dia ele estava cheio de vitalidade novamente. Fotografei-o e enviei a foto a ela para me sentir melhor e compartilhar a total recuperação. Na mesma semana, finalmente, levei-o para casa para mantê-lo mais próximo de meus cuidados.

Esse fato, realmente, ocorreu. E é, também, muito rico enquanto metáfora para apresentar o conteúdo desse texto. Mas o que pretendo representar com cada um dos elementos dessa história? Quem sou eu? Quem é a paciente? O que é o lírio da paz?

Eu represento cada ser vivo, a paciente representa Deus e o lírio da paz representa o corpo que recebemos.

Recebemos um corpo de presente. Não temos a mínima competência para criar, com nossas próprias habilidades, um coração, rins, artérias e tantas outras partes que nos tornam seres vivos. Quando recebemos algo de presente de uma pessoa especial, demonstramos nossa apreciação e fazemos questão de mostrar que cuidaremos bem do que nos foi oferecido. Uma visão superficial poderia considerar que, uma vez recebido o presente, não cabe a ninguém mais julgar a forma como o utilizo. Porém, aquele que dá e aquele que recebe se unem na esfera emocional. O objeto mudou de mãos, mas a gentileza do ato os mantém vinculados. Pois assim é nossa relação com Deus, com a natureza ou com o nome que preferirmos dar à fonte de toda a criação. Estamos profundamente vinculados à fonte. E quanto mais esse vínculo for consciente e for reverenciado, mais nutridos estaremos.

E qual o primeiro passo de reverência apresentado pelo yoga? O primeiro passo de reverência é o cuidado para com o próprio corpo. É ele nosso veículo, nosso veículo do caminho de autoconhecimento. Resgatar o reconhecimento de que o corpo não é um mero campo de desfrutes, prazeres e abusos é uma etapa importante de amadurecimento emocional para todo ser humano. Alguns descobrem tarde demais. Então, será bem vindo qualquer movimento na direção da conscientização desse corpo que foi recebido de forma tão especial. E o que é esse movimento de conscientização? Tornar algo consciente é tornar-se sensível dele e é conhecer o seu papel, o propósito de sua existência. Na psicologia do yoga diríamos “descobrir seu dharma”¹. E qual é o propósito do corpo, o dharma do corpo? Auxiliar a cada um de nós a tornar a vida uma história de descobertas, a caminhar por todos os espaços alimentando-nos de percepções sensoriais de forma a nos gerar reflexões, dúvidas e revelações. O corpo é quem leva nossa mente para passear. Através dele, e do que chamamos “os nove portões”², percebemos o mundo e interagimos com ele oferecendo à mente tudo o que ela precisa para se ocupar e cumprir, a partir daí, o seu papel. Um corpo que não funciona bem é um corpo que não entrega à mente tudo o que ela precisa, é um corpo que filtra mal as informações colhidas do mundo através dos sentidos. É por essa razão que os mestres tradicionais de yoga falam sobre o cuidado alimentar, sobre o descanso, sobre uma rotina saudável e sobre uma forma muito especial de exercício físico. Esses aspectos são apenas a base de todo um conhecimento psicológico e espiritual que também será apresentado. Mas formam um alicerce que não pode ser desprezado.

Nosso sistema corpo-mente é formado de três qualidades básicas chamadas sattva, rajas e tamas. Sattva é a qualidade de leveza e luminosidade, rajas é a qualidade de movimento e excitação, tamas é a qualidade de escuridão e peso. Os cuidados com o corpo afetam positivamente a adequada distribuição dessas qualidades em nosso sistema. Cada uma delas tem a sua hora para cumprir um papel importante. Precisamos da experiência de escuridão e peso para dormir; precisamos de leveza e luminosidade para refletir e tomar decisões; precisamos de movimento e excitação para reagir rapidamente a uma situação emergencial. Mas, para que um exercício físico contribua com a organização de todo esse sistema, não basta trabalharmos a força e a flexibilidade, é necessário utilizarmos métodos que assegurem o correto uso da respiração e da sensibilidade mental. Se estou muito ansioso, por exemplo, facilmente exijo demais de meu corpo de forma a tentar descarregar a agitação, e, muitas vezes, essa atitude inconsciente pode acabar por me deixar sem ar ou com uma contratura muscular. Além disso, seguindo esse padrão de relacionamento com o corpo, estou fortalecendo uma tendência mental abusiva. Não podemos apenas fazer uma medição física para ver os resultados mais evidentes do exercício, também precisamos refletir sobre como a forma como ele é feito afeta o treinamento da mente. Exercitar o corpo é se relacionar com o corpo, e isso exige que saibamos como treinar atitudes mentais saudáveis simultaneamente.

É por esse motivo que a prática de entrada do yoga oferece meios para exercitarmos o corpo, ao mesmo tempo em que tornamos a respiração mais lenta e direcionamos mais a atenção sustentando certas atitudes especiais na relação com o corpo e com a respiração. Corpo, respiração e mente não podem ser desgrudados. Somos um. Não somos partes isoladas. Quanto mais entendermos a inviolabilidade dessa conexão, mais nos convenceremos da importância de integrar todos esses aspectos no exercício físico.

Reverenciar a perfeição desse corpo é agradecer a Deus.  Cuidar deste corpo como quem protege um presente especial é um gesto de humildade e sabedoria. Somos limitados, caímos em excessos, falhamos, temos dificuldade de manter hábitos saudáveis... mas qualquer conquista na direção dessa construção gradual amparada pelo sentimento de gratidão será de grande benefício a nós mesmos e reverberará positivamente naqueles que nos cercam. Um relacionamento atento e sensível, com esse que é nosso instrumento mais perceptível, aumenta em muito nossas chances de avançar em direção a um caminho mais profundo de autoconhecimento e realização.

Notas

1 - dharma é a natureza de algo, o que ele tem a cumprir como propósito. Significa, também, dever ou ação adequada.

2 - os nove orifícios do corpo vinculados à ação e à percepção: ânus, sexo, boca, narinas, olhos e orelhas. O corpo é conhecido como “a cidade dos nove portões”.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Yoga em poesia

Rabindranath Tagore expressou vários ensinamentos do Yoga de forma perfeita em muitas de suas poesias. Essa é uma delas...

Obs: Para abrir os áudios do canal "Psicologia do Yoga" no computador não é necessário cadastrar-se nem instalar qualquer programa.

No celular é necessário instalar o "Castbox", um dos principais aplicativos de podcast atuais.

https://castbox.fm/vb/111974357

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Podcast "Psicologia do Yoga"


Desde ontem, 13 de dezembro de 2018, está no ar o podcast "Psicologia do Yoga - Prof. Jorge Knak".

Para quem não está habituado, o podcast é uma ferramenta para publicação de áudios. Eles ficam disponíveis para serem escutados em meu canal ou serem baixados.

O que esperar do Podcast "Psicologia do Yoga"?

Reflexões sobre o fantasma que mais nos assusta: o sofrimento;
Sobre as armadilhas que acabam por nos levar na direção dele quando acreditamos que estamos o evitando;
Exposição dos passos apresentados pelo caminho tradicional do yoga para que encontremos uma satisfação mais profunda e permanente sem a negação da realidade humana;

Além disso, teremos áudios em outros formatos, onde não seguiremos a reflexão espontânea habitual, e sim leituras de contos e artigos que enriqueçam essas contemplações.

Para ir recebendo o aviso quando novos áudios são postados é só se inscrever no canal.

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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Entrevista à Folha de São Paulo online


A psicologia do yoga e a ressaca da polarização eleitoral

Patrícia Britto: Acabamos de passar por uma das eleições mais polarizadas no país desde a redemocratização e temos visto uma forte divisão da sociedade, com muitas pessoas expressando medo, tristeza e desânimo. Como podemos entender esse momento do ponto de vista do ioga?
Jorge Luís Knak: Fico feliz de tratar desse tema, pois é justamente no confronto de ideias que se dá o caminho de ioga. O que quero dizer por confronto? O embate que coloca de um lado minhas expectativas, meus ideais, meu desejos, ou seja, meu mundo interno, e de outro lado a realidade externa. É fácil entender que esse embate não tem fim, pois jamais a minha realidade individual estará plenamente alinhada com a realidade plural. Na Índia é dito que “cada mente cria sua própria filosofia”, pois essa é a trajetória humana, encontrar-se através da diferenciação. Porém, essa trajetória traz seus desafios.
Patrícia Britto: Que tipo de desafios?
Jorge Luís Knak: O ioga diz que nosso ego tem, entre suas vulnerabilidades, o orgulho e a necessidade de se afirmar no ambiente que o cerca. Para nutrir essas vulnerabilidades, faz negociações arriscadas. A segunda [necessidade de afirmação] pode gerar uma certa proteção quando o ambiente está saudável, mas irá gerar grandes danos quando o ambiente está doente. Como somos humanos, não ficaremos imunes a tais armadilhas. O ser humano nasce da ignorância, da confusão a respeito de sua verdadeira identidade, e o medo e o sofrimento são as inevitáveis consequências dessa incerteza. Tateamos no escuro em busca de algo em que possamos nos agarrar. Mas aceitar nossa ignorância e nosso medo é a primeira etapa da cura, assumir que estamos em busca e que todos nós estamos na mesma condição interna é essencial para o sentimento de irmandade.

Patrícia Britto: Ou seja, é preciso entender que, por mais que eu discorde do outro, ele é movido por uma lógica interna que pode estar além da minha compreensão…
Jorge Luís Knak: No ioga, o sentimento de irmandade é tanto a base de uma sociedade madura quanto a base para o autoconhecimento. O desejo da experiência de irmandade é natural em todos nós e é intenso, eis a razão de nossa angústia e violência quando o mesmo não se estabelece. Sabemos que a intensidade da reação equivale à intensidade do desejo. Mas, se não somos educados para essa percepção, somos enganados pela emoção mais aparente. E, como nosso sistema educacional é um fracasso nessa área, padecemos desse mal. Desejamos comunhão e não temos nem sequer consciência e clareza disso. Essa comunhão é um dos principais temas tratados em atendimentos terapêuticos na psicologia do ioga. A maneira como essa comunhão se apresenta em forma de ações está conectada ao conceito de “dharma”, que pode ser entendido como “ação saudável para aquele que a realiza e para o ambiente que a recebe”. É a dimensão social do sistema de ioga.
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Leia a entrevista completa no link abaixo   👇


https://namaste.blogfolha.uol.com.br/2018/11/01/recolhimento-e-desapego-combatem-ressaca-eleitoral/

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Introdução à formação de hábitos mentais

Psicologia do Yoga

Trecho do livro "Principles and Practice of Yoga Therapy" - Dr. N. Chandrashekaran

"Os sistemas físico e fisiológico não são suficientes para possibilitar uma determinada ação. Alguém pode ter olhos perfeitos, mantê-los abertos e direcionados a um objeto e, mesmo assim, se a atenção não está no objeto, ele não será visto. Os olhos estão abertos, mas a ação - a visão - não está acontecendo. As dimensões física e fisiológica estão presentes mas a terceira - a atenção - está ausente. Então, a ação acaba por não se estruturar integralmente naquela direção. Onde a atenção está, a ação vai. Essa faculdade dentro de cada de nós é chamada de sistema psicológico. Na verdade, o sistema psicológico inicia as ações pelo interesse gerado. Ele se utiliza, então, do sistema fisiológico, através do que chamamos de energia vital ou "prana" e possibilita cada ação com a ajuda do sistema físico. Portanto, para cada ação os três sistemas mencionados são essenciais.

Nosso sistema psicológico tem múltiplos potenciais, é dominante e esperto. Nele está também a faculdade da memória. Cada ação feita através da combinação dos três sistemas resultará no estabelecimento de uma memória. Ações repetidas resultam na formação do hábito. No yoga chamamos os hábitos, as marcas mentais, de "samskaras". Samskara é um padrão de ação bem estabelecido no sistema psicológico. Uma vez que esteja profundamente enraizado, ele toma conta. Ele inicia a ação e dá continuidade a ela por si mesmo. A atenção pode, então, até mesmo ir para outro lugar, mas a ação é iniciada e mantida por esses samskaras. A ação se torna mecânica."

Dr. N. Chandrashskaram* - Livro "Principles and Practice of Yoga Therapy"

*Dr. N. Chandrashekaram é médico com mais de 30 anos de experiência em medicina de família, foi aluno de TKV Desikachar e foi um de meus professores na Índia.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O yoga e a luz da lua


Há uma tradicional metáfora indiana que se utiliza das imagens do sol e da lua. Nessa metáfora, bastante usada nos meios de yoga e vedanta, o sol representa o espírito e a lua representa a mente.

A lua não tem luz própria, sua luz é apenas o que ela consegue refletir do sol. Por essa razão, durante o dia, a lua não é lembrada por nós. Por qual razão nos voltaríamos a ela uma vez que a luz direta do sol está à nossa disposição? Mas, quando o sol se esconde e a noite chega, a lua conquista admiradores. A lua, antes negligenciada, passa a ser lembrada e reverenciada. É à noite que reconhecemos sua beleza e sua importância, é à noite que nos tornamos gratos a ela.

Assim é, também, a mente. Quando o espírito brilha, solitário, não há razão para a existência da mente. O espírito é visto como pura presença, pura essência de vida e consciência. A luz do sol é como a luz do espírito, a luz do “purusha”, a luz do “atma”, a luz da consciência que ilumina a mente. É ela, sem dúvida, a fonte. É ela, sem dúvida, o destino. Mas, para a vida humana, para a vida que oferece o desafio e a doçura das relações, a mente é o grande instrumento. Enquanto buscadores, enquanto seres humanos que reconhecem sua própria ignorância, sua própria escuridão, humildemente nos lembramos, a cada tropeço, de reverenciar a luz da lua. A mente, negligenciada por aqueles que se fixam apenas no destino e esquecem os passos, é, na realidade, o supremo instrumento. Precisamos que ela nos proteja, oferecendo vestígios do brilho do espírito enquanto não o vemos diretamente devido a nossos obscurecimentos. A mente não tem luz própria, mas só ela pode nos revelar a luz do espírito. Reverenciamos a mente como quem, tateando, se alegra ao encontrar a lamparina na noite escura. É ela que nos oferece a segurança que precisamos para continuar caminhando.

Enquanto o dia não nasce, cuidemos da mente, apliquemos o conhecimento do yoga. A mente não é uma ilusão, e sim uma bondosa parceira. Se não cuidarmos do corpo, não encontraremos a qualidade de mente que precisamos. Se não cuidarmos da mente, não encontraremos o espírito. A única ilusão está em crer que a mente tem luz própria. E, por essa razão, um danoso e sutil engano seria cuidar do corpo sem mirar a mente e cuidar da mente sem mirar o espírito. Yoga é essa integridade, essa conexão.

Se desprezarmos a lua, quem trará luz para nossas noites escuras?

Se desprezamos a mente, quem trará discriminação para nossa herdada ignorância?

Dediquemos nosso cuidado e atenção ao caminho, o destino está adiante, protegido, seguro. Que a mente se vá, satisfeita com seu percurso, com nosso último sopro. Que ele seja como o alegre e grato sopro que apaga a lamparina quando o nascer do sol se aproxima.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Em Curitiba (inicia em Maio/2018) - Introdução à Bhagavad Gita na tradição de Krishnamacharya



Professor Jorge Luís Knak

Resumo:
Jorge Luís Knak dedica-se à psicologia do yoga desde 1994, tendo recebido, em 2006, autorização oficial direta do Prof. TKV Desikachar (1938-2016) para oferecer treinamento a professores.
Atualmente, segue sua especialização na mesma linhagem sob orientação regular do Prof. Paul Harvey (Inglaterra).
É idealizador e fundador do “CITEY – Colégio Integrado de Terapia e Educação em Yoga”.
Foi professor nos seguintes eventos internacionais: Celebrating Yoga (Sydney – Austrália), Krishnamacharya Yoga Festival (San Francisco – Estados Unidos), Curso Preparatório para Especialização em Yogaterapia (Piesendorf – Áustria).
Oferece atendimento individualizado focado na abordagem terapêutica integral da Psicologia do Yoga (sensibilização corpo-respiração-mente, reeducação emocional e autoconhecimento).
Coordena, juntamente com Maria Nazaré Cavalcanti, o único curso do Brasil autorizado a formar professores conforme os ensinamentos da linhagem de TKV Desikachar e, de seu pai, Shri Krishnamacharya.
É casado e tem três filhos.

Completa:

Anos iniciais: de 1995 a 2001 sua experiência incluiu vários anos de estudo direto com professores como Lama Samtem (Budismo Tibetano), Glória Arieira (Vedanta) e retiros com outros professores que marcaram seu caminho (entre eles, Chagdud Tulku Rinpoche). Realizou diversos cursos de Yoga no Brasil, mas apenas no ano 2000 encontrou a tradição de Yoga com a qual se identificou e à qual passou a se dedicar.

Aprofundamento: Em 2001 iniciou seus estudos no Krishnamacharya Yoga Mandiram (Chennai – Índia). Seu aprofundamento nessa tradição de yoga se deu, nesse período, através de 8 viagens à Índia para estudos intensivos com os professores TKV Desikachar, Kausthub Desikachar, S. Sridharan, Dr. N. Chandrasekharam e outros professores desta linhagem. Tais viagens corresponderam a 8 cursos intensivos com duração de um mês, além de orientação individual.
Entre os assuntos profundamente estudados nesse período estão asana, pranayama, meditação, aplicação individualizada clássica e terapêutica, psicologia do Yoga e estudo de escrituras diversas. Em 2011 realizou, na Áustria, cursos sobre o texto “Hatha Yoga Pradipika” e sobre “Yogaterapia” com os professores Frans Moors, S. Sridharan e Kausthub Desikachar.

Estudos atuais: Em 2013 deu continuidade a seus estudos e sua prática pessoal, através de encontros individuais regulares por Skype, com o Prof. Paul Harvey (Inglaterra), aluno direto de TKV Desikachar por mais de 20 anos. De 2013 a 2015 dedicou-se ao estudo detalhado do Samkhya Darshanam (sistema irmão do Yoga, considerado essencial para a compreensão do ser humano, da estrutura mental e do caminho de meditação).

Em 2015 viajou à Inglaterra para estudos presenciais com seu professor e para um intensivo de 13 dias sobre o Bhagavad Gita (longa escritura que detalha o desenvolvimento gradual do caminho de Yoga) com o Prof. Srivatsa Ramaswami (aluno de Sri Krishnamacharya / 1888-1989).
Atualmente está estudando regularmente o Gitartha Samgraha de Yamunacharya com o Prof. Paul Harvey.

Experiências profissionais:

Atua como professor de Yoga desde 1995, com ênfase em atendimento individualizado focado na orientação terapêutica integral. Em 2006, juntamente com Maria Nazaré Cavalcanti, recebeu certificação oficial do Prof. TKV Desikachar (1938-2016) para ser responsável pela formação de professores na Tradição de Yoga de Krishnamacharya no Brasil.
É idealizador e fundador do CITEY - Colégio Integrado de Terapia e Educação em Yoga.

Professor nos seguintes eventos internacionais:

- “Celebrating Yoga” (Sydney/Austrália);
- “Krishnamacharya Yoga Festival” (San Francisco/Estados Unidos) com a coordenação e participação de seu professor TKV Desikachar ;
- “Curso Preparatório para a Especialização em Yogaterapia” (Piesendorf /Áustria), intensivo de 10 dias que conduziu em parceria com o Prof. S. Sridharan (Diretor do Krishnamacharya Yoga Mandiram).

Professor convidado em outros Cursos e Simpósios:

- “Emoções na perspectiva do Yoga” – (Educação e Espiritualidade: Ações na Cultura para a Paz - Curso de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – NIETE)
- “Introdução ao Yogasutra” (Formação de Yoga da Unipaz – Camboriú/SC)
- Palestra: “Visões sobre a realidade e a mudança: a Psicologia do Yoga” (XIII Simpósio Internacional da Associação Junguiana do Brasil – Canela/RS)
- Palestra: “Yoga e Saúde Mental” (Encontro Corpo e Mente - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre)
- Palestra: "Yoga" (Ciclo de palestras sobre Tratamentos Orientais - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
- Palestra: "Yoga, meditação e saúde mental" (1º Seminário de Práticas Integrativas e Complementares do Serviço de Saúde Comunitário - Grupo Hospitalar Conceição - Ministério da Saúde)

Cursos conduzidos no Brasil:

- Curso de Formação de Professores de Yoga na Tradição de Krishnamacharya (Curso com duração de 2 anos e meio realizado em Porto Alegre e Curitiba)
- Compreendendo as Emoções e Aprendendo a Meditar (Porto Alegre e Curitiba)
- A Face de Deus no Yoga (Porto Alegre)
- Revelando o Yogasutra (Curitiba)
- Contemplando o Sankhya Darshanam (Curitiba e Porto Alegre)
- Yogarahasya: O segredo do Yoga na tradição de Krishnamacharya (São Paulo)
- Kriya Yoga e Ashtanga Yoga na Tradição de Krishnamacharya (Curitiba)
- O Yoga externo e interno (São Paulo)
- Introdução à Bhagavad Gita (Celebrando os 1.000 anos de Shri Ramanunacharya)