terça-feira, 4 de junho de 2013

Meditação e a diluição do Yoga


O Yoga é tão amplo que isso, muitas vezes, chega a ser um problema para os professores e praticantes. Essa amplidão associada à falta de comprometimento com uma linhagem tem feito com que o assunto “Meditação” seja um dos menos populares no Yoga moderno.
Acredito que alguns dos sinais (mais evidentes) da grande diluição que o Yoga tem sofrido devido a essa falta sejam:
-crença em técnicas e não na relação de aprendizado entre professor e aluno.
-excessiva preocupação com os aspectos físicos da prática, que tradicionalmente é apresentada com o propósito de reduzir nossa ansiedade e possibilitar maior direcionamento mental;
-ausência de clareza sobre qual é o propósito fundamental do caminho do Yoga.
 E o que é Meditação no sistema do Yoga?
Para começar, não é tentar “esvaziar a mente”. A meditação é o exercício de acalmar aquilo que é mais superficial para poder enxergar aquilo que é mais profundo. Nossas insatisfações e ansiedades nos acostumaram a um comportamento emocional viciado, que praticamente nos impede o acesso a esse olhar “calmo”. Exemplificando: Facilmente enxergo a raiva, mas dificilmente enxergo que ela nasce da frustração de um desejo. E, se consigo enxergar o desejo que a originou, raramente vejo que fui eu quem o criou. E, se eu consigo chegar ao ponto de enxergar que eu sou o pai desse desejo e, por conseqüência, dessa raiva, raramente tenho discriminação e conhecimento suficientes para perceber que a grande intensidade desse desejo nasce da minha incapacidade de encontrar satisfação e contentamento em mim mesmo.
E se consigo, na prática (e não na fácil tarefa de apenas escrever isso no facebook), dar todos esses passos, raramente tenho a humildade de assumir a responsabilidade perante o outro (que provavelmente a essa altura já pagou o pato)...
Refazer esse caminho até a fonte do problema muitas e muitas vezes a partir de situações reais que invadem nosso dia-a-dia e nossas relações é meditação. Meditar é treinar a capacidade de não enxergar só o que é mais aparente e ter a humildade de enxergar que meu maior problema sou eu.
Jorge Luís Knak
 

2 comentários:

Marcos F. Taschetto disse...

Olá Jorge,
tenho observado algo interessante: dou aulas de hatha yoga (Iyengar) e conduzo encontros de meditação, e quase todos os interessados em meditação não são praticantes de yoga. Curiosamente, e infelizmente, parece que o yoga anda atualmente desvinculado da meditação e da introspecção.

Jorge Luís Knak disse...

É verdade Marcos. Acredito que boa parte desse problema venha da falta de compreensão. Os alunos e os professores, muitas vezes, não sabem quais são os reais benefícios da prática de asana. Portanto, também não sabem o que a prática de asana não oferece. Acredito ser possível educar nessa direção. Como faço apenas atendimento individualizado, esse problema acaba sendo muito reduzido. Naturalmente, pelo convívio mais próximo e pelo desenvolvimento do estudo, 80% dos praticantes não fica preso ao asana. Mas sei que isso ocorre bastante nas aulas em grupo. Incluir o estudo do Yogasutra nos centros de Yoga poderia ser uma boa maneira de diminuir essa confusão. Se não fizermos isso, protengendo o Yoga darshana, ele será cada vez mais visto como uma mera prática de asanas.
Um abraço e grato por ter compartilhado sua experiência.